EdPopSus realiza Mostra de Experiências em Laranjeiras

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Evento avalia construções coletivas do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde

Um encontro das experiências que aconteceram nos últimos meses. Essa é a proposta da Mostra de Experiências do EdPopSUS Sergipe, que acontece no Centro de Tradições – Trapiche de Laranjeiras (SE), nesta sexta-feira, 21, e reúne 19 turmas, educadores, educandos, gestores e demais parceiros. O evento aborda as vivências, compartilhamentos e construções coletivas ao longo do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde, realizado pelo Programa de Qualificação em Educação Popular em Saúde – EdPopSUS Sergipe, simbolizando o encerramento da etapa desse projeto no Estado.

Articulado com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEP-SUS) e executado pela Fundação Estadual de Saúde (Funesa), em parceria com Secretaria de Estado da Saúde (SES), a iniciativa ocorreu por meio de convênio celebrado com a Fiocruz, através da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, a partir de pedidos das secretarias municipais de saúde de Sergipe.  Uma das iniciativas do EdPopSus, por meio dos seus cursos, é construir possibilidades de apropriação coletiva e individual das bases político-pedagógicas. Executado em Sergipe desde 2013, o EdPopSUS qualifica as práticas educativas dos profissionais de saúde, agentes comunitários, agentes da vigilância da Atenção Básica, integrantes de movimentos sociais e outros profissionais de Atenção Básica, que são o público-alvo do curso.

De acordo com a integrante da Coordenação Nacional do Curso de Aperfeiçoamento de Educação Popular em Saúde,  Irene Leonore Goldschmidt, o intuito da capacitação é  qualificar as práticas educativas dos profissionais de saúde, agentes comunitários, agentes da vigilância da atuação básica, integrantes de movimentos sociais e outros profissionais de atuação básica, que são o público-alvo do curso. A repercussão dos cursos foi muito boa para os educandos, educadores e gestores de serviços. Há uma grande demanda para a continuidade desse curso. Nós, da Coordenação Nacional, gostaríamos de continuar, pois isso traz muitos benefícios para a população”, ressalta.

Irene Goldschmidt também observa que os trabalhos são práticas de saúde, com ênfase na educação. “Os agentes/trabalhadores vão à casa das pessoas, faz a intermediação das necessidades da população com os serviços de saúde. É nesse sentido que o curso enriquece. Vale destacar que continuação do projeto vai depender do Ministério da Saúde, que fornece o recurso. Necessitamos do Ministério para que tenhamos

Irene Goldschmidt (ao centro)

continuidade em 2019. Já houve um grande abaixo-assinado com o pedido de continuidade dos cursos, por isso estamos com esperança de continuar”.

Para Simone Leite, coordenadora do Movimento Popular de Saúde – Mops e do EdpopSus de Aracaju, a Mostra é uma oportunidade na qual cada turma vai mostrar o que aconteceu em seu município, sendo que há turmas com mais de uma cidade. “O intuito é discutir como foi feito esse curso, por meio da troca de experiências. A proposta da Educação Popular é a troca de saberes, então estamos fazendo um encontro produtivo, onde trocamos conhecimento e debatemos sobre a condição da saúde nos municípios de atuação. A expectativa  é  de que seja um momento de fortalecimento do SUS, no âmbito da  Política Nacional da Educação Popular em Saúde, com uma nova política, onde é possível fazer diferente, construir juntos e pensar coletivamente sobre como o SUS seja fortalecido com as Práticas Integrativas”, disse.

Simone acrescenta, ainda, que esse momento é único. “Sergipe saiu na frente, junto com alguns outros estados, e a Funesa, tendo Lavínia como coordenadora estadual, vem fortalecendo essa causa.  Podemos dizer que Sergipe tem proposta e vai fortalecer a Educação Popular em Saúde, com uma nova forma de fazer saúde, onde gestores, trabalhadores, profissionais da saúde, movimentos sociais e o controle social, unidos, podem fazer diferente, principalmente no ano de 2019, pois estaremos na organização da 16ª Conferência  Nacional de Saúde (8ª + 8). Será um momento de se discutir a democracia, discutir um SUS firme, com  participação popular, que tenha mais recursos para a saúde, que os trabalhadores sejam valorizados e a população seja ouvida”.

Segundo Lavínia Aragão, diretora geral da Funesa, é uma grande satisfação estar finalizando mais essa etapa  do projeto, iniciado em 2013, além da importância da construção coletiva. “Para nós da Coordenação Estadual é um sentimento de felicidade  chegar nessa etapa final e estar acompanhando um pouquinho dessas ricas produções, elaboradas por essas turmas ao longo do curso. Isso só é possível devido a uma forte parceria entre o Ministério da Saúde; a Fiocruz, através da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio; o Governo de Sergipe, através da SES; da Fundação Estadual da Saúde; e das Prefeituras Municipais, por meio das Secretarias  Municipais da Saúde. Também não podemos  deixar de citar o Cosems, que sempre nos apoia nessa articulação, além da parceria com a Universidade Federal de Sergipe e com os Movimentos de Educação Popular em Saúde,  que em Sergipe são Mops e a Neps”, destaca.

Oficinas de Capacitação Pedagógica dos Educadores Populares

A principal finalidade dos cursos/oficinas foi qualificar as práticas educativas porque o forte destes profissionais – principalmente os agentes comunitários e de vigilância – é a ação educativa juntos às famílias, na casa destas pessoas. “O curso atribui um novo olhar na forma de criar essa relação, de fazer esse processo educativo junto à população. Essa capacitação gera uma visão popular da educação, do ponto de vista das perspectivas de mudança social que ela é capaz de promover”, afirma Irene Goldschmidt.

Enfermeira que atua  no Programa Saúde da Família de Atenção Básica do município de São Domingos, Lais Lima afirma que participar das oficinas é de grande significância e que eventos desta natureza agregam à Atenção Básica, uma vez que promove uma interação positiva, além de discutir coletivamente sobre  educação popular. “Educação é você levar seu conhecimento de educação em saúde para a população que você está trabalhando. São profissionais de diversas áreas debatendo para promover uma saúde de qualidade para seu público. Movimentos como este promovem essa interação com o todo”.

Para Guilherme Fernandes, médico generalista que atua na Atenção Básica da Saúde da Família no município de Nossa Senhora das Dores, pelo perfil de trabalho desenvolvido da cidade, tenta-se sair um pouco da esfera de racionalidade biomédica, da saúde como ausência de patologias. “Tentamos trazer outros critérios que sai do eixo da medicina baseada em evidências, protocolos, diretrizes, que deve existir em alguma medida, mas não são os únicos conceitos que precisam subsidiar a Atenção Básica. Vim conhecer outras práticas que possam ser aplicadas e que melhorem a qualidade de vida da população, além de sermos multiplicadores nas comunidades”, pontua.

 

Por Acom Funesa