SES e Funesa realizam Seminário Estadual para Pessoas Vivendo com HIV/Aids

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Ter HIV não é o mesmo que ter Aids, mas é necessário que o controle do vírus seja feito de maneira adequada, evitando que esse organismo se desenvolva e gere a Aids, aumentando o tempo de sobrevida. A partir desse entendimento, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), realiza, nesta quarta e quinta-feira, 30 e 31, o Seminário Estadual das Pessoas Vivendo com HIV/Aids. Com o tema “A busca do ativismo na atual conjuntura da Aids”, o evento tem como principal objetivo articular e incentivar a promoção do ativismo e do protagonismo das Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA), como forma de fortalecer o movimento e adesão ao tratamento.

O Seminário conta com a participação de membros de Organizações Não-Governamentais (ONGs), Casas de Apoio às PVHA e lideranças regionais de PVHA. Na oportunidade, estão sendo abordadas palestras sobre “A busca do ativismo na atual conjuntura política da Aids”; “A militância e o protagonismo dos jovens vivendo e convivendo com HIV/Aids”; “Sororidade”; “Adesão ao tratamento e a Prevenção Combinada”; “A rotina do SAE”; “A Realidade do SAE na visão dos usuários”; além de “Acesso à saúde para a população Trans do Nordeste”. Também serão abordados “Interação Medicamentosa e suas comorbidades”; “Saúde Mental/Aids: uma realidade PVHA”; “Desafios das ONGs/Movimentos Aids/NE”; “Infecções crônicas, prevenção, tratamento e efeitos adversos – Sífilis, HIV, TB e Hepatites”; e Roda de conversa “Viver e conviver com Aids”.

Durante a programação, o gerente do Programa IST/Aids da SES, Almir Santana, ministrou a palestra “Adesão ao tratamento e a Prevenção Combinada”. Ele ressalta que esse é um momento importante, que acontece anualmente, pois os próprios soropositivos podem discutir tudo que envolve a realidade de viver com HIV/Aids, desde o tratamento, até os serviços prestados. “Aqui estão lideranças do Nordeste, de jovens, de redes de pessoas vivendo com Aids de outros estados. Então essa troca de experiências é muito importante. Eu mostrei como é fundamental o uso correto do medicamento, pois isso influencia na qualidade de vida. Outro ponto importante é que, ao usar corretamente, pode reduzir a probabilidade de infectar outras pessoas. É o chamado tratamento como prevenção, cujo vírus cai”.

Para San Diego Souza, representante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids do Maranhão, há um paradoxo de se discutir mais casos, porém nem sempre é possível discutir da forma necessária, em sua totalidade, pois há um movimento conservador, mesmo nesse cenário de vulnerabilidade. “Às vezes, ao falar de prevenção, temos que podar nossas palavras e isso acaba dificultando. Também é preciso que essa conscientização e educação sobre a prevenção chegue às cidades do interior, que nem sempre tem o acesso apropriado ao serviço, sobretudo por ter baixo poder aquisitivo. Outra questão é que às vezes as pessoas tomam a medicação corretamente, mas esquecem de adquirir hábitos que complementam na saúde em geral. E tudo isso influencia”, pontuou.

Operacionalizada pela Funesa, a ação tem como premissa a complexidade da Aids, que constitui um grande desafio para os profissionais de saúde, segundo informa o projeto da referência pedagógica e da referência técnica da Coordenação de Educação Permanente e Pós-Graduação da Funesa, Gorete da Rocha e Liana Nascimento, respectivamente. “A relevância do presente trabalho, portanto, consiste na possibilidade de oferecer subsídios teóricos aos profissionais de educação física, e da saúde em geral, para o desenvolvimento de intervenções que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida e aptidão física das pessoas vivendo com HIV/aids, visando à promoção da saúde e prevenção de agravos”.

Tratamento

O uso da terapia antirretroviral (TARV) tem diminuído significativamente a morbidade e a mortalidade das pessoas infectadas pelo HIV, propiciando, em consequência, o aumento da expectativa de vida. Como resultado da longa duração da infecção pelo HIV, da toxicidade relacionada ao tratamento, dos hábitos e estilos de vida e das características individuais, a doença toma proporções que exigem ações integradas de prevenção e assistência para o enfrentamento dos eventos adversos, o envelhecimento das pessoas e os impactos psicossociais envolvidos.

O diagnóstico em tempo hábil, a disponibilização universal de medicamentos eficazes pelo SUS e o acompanhamento clínico adequado aumentaram tanto a expectativa quanto a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids, trazendo novos desafios para a promoção da integralidade, tais como a reinserção social, incluindo o mercado de trabalho e o sistema educacional, e a promoção de hábitos saudáveis, como alimentação adequada e atividade física, gerando uma melhor qualidade de vida.

Combate e Prevenção

Segundo informações do ministério da Saúde (Agência Saúde), “o sucesso das estratégias de resposta brasileira ao HIV/Aids é reconhecido internacionalmente, sobretudo pelo protagonismo e pioneirismo em implantar e ampliar a assistência às pessoas vivendo com HIV/Aids. O Brasil foi um dos primeiros países – e o único, considerando sua dimensão populacional – a adotar a distribuição gratuita dos medicamentos para a aids no seu sistema público de saúde, em 1996”.

O MS também informa que, as ações dentro de um conceito de prevenção combinada (uso de vários métodos), que inclui a distribuição de preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante, ações educativas e ampliação do acesso a novas tecnologias, como a profilaxia pós-exposição e a profilaxia pré-exposição vêm sendo diversificadas.

Nos últimos anos, a taxa de detecção de Aids vem caindo no Brasil, com redução de 9,4% entre 2007 e 2017, passando de 20,2 casos/100 mil habitantes para 18,3 casos/100 mil habitantes no período. Em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 casos de Aids. Entre 1980 e junho de 2018 foram detectados 982.129 casos de aids no país. Como resultado de todas as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde, o Brasil chegou aos 30 anos de luta contra o HIV/ids com queda no número de óbitos por aids no país. Atualmente, estima-se que 866 mil pessoas vivam com o vírus HIV no Brasil e a epidemia no país é considerada estabilizada.

 

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