Profissionais participam de Curso Básico de Vigilância em Saúde do Trabalhador

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Foto: Míriam Donald

A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) compreende uma ação contínua e sistemática, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar e analisar fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, em seus aspectos tecnológicos, sociais, organizacionais e epidemiológicos. Essa política tem a finalidade de planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma a eliminá-los (Portaria GM/MS 3.120/98). Com base nessa prerrogativa, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa), iniciou, nesta segunda-feira, 9, o Curso Básico de Vigilância em Saúde do Trabalhador, que segue até esta sexta-feira, 13.

Componente do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, a Visat busca a promoção da saúde e a redução da morbimortalidade da população trabalhadora, por meio da integração de ações que intervenham nos agravos de seus determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos, segundo informa a Portaria do GM/Ministério da Saúde, nº 3.252/09. Visando a integralidade do cuidado, a Visat deve inserir-se no processo de construção da Rede de Atenção à Saúde, coordenada pela Atenção Primária. “Nessa perspectiva, a Vigilância é estruturante e essencial ao modelo de Atenção Integral em Saúde do Trabalhador. Com esse entendimento, realizamos essa ação com o objetivo de implementar e qualificar profissionais da saúde da Atenção Primária à Saúde e Vigilância, operacionalizando a atividade, através do apoio pedagógico”, afirma a analista educacional da Coordenação de Educação Permanente e Pós-Graduação da Funesa, Gorete da Rocha.

Foto: Míriam Donald

A enfermeira Paula Aparecida de Souza, membro do Sindicato dos Enfermeiros e Coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador do Conselho Estadual de Saúde (CES), afirma que há reuniões mensais para discutir fatores determinantes que levam ao adoecimento dos trabalhadores. “Primeiro precisamos saber como a rede de saúde do trabalhador está organizada, para depois analisar de que forma os trabalhadores podem ajudar nesse sentido. É fundamental dialogar com os profissionais em seus respectivos campos de atuação e saber dele como funciona essa rede de assistência ao trabalhador. A nossa pretensão é criar Fóruns Regionais de Saúde do Trabalhador, em cada uma das sete regionais, com representações não apenas dos trabalhadores, mas das empresas, empregadores, Previdência Social, universidades, etc”.

Durante a semana, serão abordados os temas “Interrelações entre os processos produtivos e a saúde do trabalhador”; “Conceitos-chave de vigilância em saúde do trabalhador”; “Conceitos de processo de trabalho – ambiente – sistema/layout/ instrumentos/posto/fluxograma/inventários”; “Conceitos de trisco e carga de trabalho”; “Histórico e conceito de Mapa de Risco”; “Técnicas de análise de riscos/técnicas de entrevistas com trabalhadores (morbidade referida/incidentes/críticos/percepção subjetiva de risco)/árvore de causas/checklist/protocolos”; “Legislação Pertinente à Vigilância em Saúde do Trabalhador”; “Manejo de Informações em saúde do Trabalhador”; e “Manuseio do Manual Técnico do Curso Básico de Visat no SUS”.

Foto: Míriam Donald

Uma das facilitadoras da ação, Jaciara Santos, assistente social do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) – Regional João Pessoa, que também faz parte do Projeto Multiplicadores em Visat, coordenado pela Fiocruz, abordou sobre “Categoria de Trabalho” e “A Nova Morfologia do Mundo do Trabalho”, que “vem impactando não só na perspectiva do desmonte dos direitos trabalhistas, mas também interferindo na saúde da trabalhadora e do trabalhador”, disse. A facilitadora também afirma que haverá construção dos trabalhos coletivos, ação de vigilância em algumas empresas, cuja escolha será definida em conversa com os sindicalistas, e construção do relatório que será entregue às empresas que foram alvos da Vigilância em Saúde do Trabalhador.

Ainda de acordo com Jaciara, “dessa forma, qualificamos profissionais para que sejam multiplicadores nos seus espaços e, sobretudo, que tenham um olhar para a saúde do(a) trabalhador(a) e entenda que todo e qualquer paciente que chega em uma unidade de saúde e se alertem à ocupação que esse trabalhador desenvolve, que muitas vezes são trabalhadoras e trabalhadores que procuram o SUS e um adoecimento ou acidente, não sendo notificado, pode vir a ter seu direito negado. Daí a importância das Vigilâncias trabalharem de forma intersetorial para que, de fato, também consigam ter uma visão mais ampla da saúde do trabalhador”, ressalta.

 

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